quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Infográfico: Engenho de Açúcar Colonial

Infográfico sobre os engenhos de açúcar do Brasil Colônia. No século XVII, o açúcar era o principal produto brasileiro vendido no exterior. Ele era conhecido como “ouro branco”, pois era caro e raro, sendo o Brasil o maior produtor de açúcar no mundo. Conheça um engenho de açúcar e as pessoas que lá viviam.
Para acessar o infográfico, clique na imagem abaixo
Explicação sobre o que era o açucar no século XVII

10 questões de história para entender o Enem

        História é um tema importantíssimo para o Enem. Desta forma, compreender como as questões de história são apresentadas, assim como os principais temas e formatos é essencial para o querido candidato que quer obter uma excelente média na prova. Sendo assim, vou apresentar para vocês 10 questões de história para entender o Enem.
Candidato fazendo a prova do Enem
        Cada questão é analisada em seu contexto e particularidades específicos. Alguna artigos já publicados aqui no blog vão ajudá-los na empreitada de se preparar bem e detonar no Enem
  • Conteúdo de história para prova do ENEM: Você quer passar na prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e estar entre os primeiros no SiSU? Fique ligado no conteúdo programático de história.
  • Competências e Habilidades em Humanas: Conheça as principais competências e habilidades cobradas pelo Enem na área de ciências humanas, de acordo com a Matriz de Referência criado pelo MEC em

Questões

Questão: Evolução Humana: Esta questão apresenta um gráfico a ser interpretado, além da relação interdisciplinar entre história e biologia. Este diálogo entre disciplinas de diferentes áreas do conhecimento é uma constante no Enem.
Questão: Guerra Fria: Esta questão mostra que o Enem não é só raciocínio e interpretação. É importante também o conhecimento factual, ou seja, domínio dos conteúdos cobrados no programa do MEC. Além disso, a questão trata da Guerra Fria, um dos temas mais cobrados do Enem.
Questão: Economia na Era Vargas: Esta questão é importante na medida que trata da Era Vargas, um tema que aparece em várias edições do Enem. Características do período, como o direito dos trabalhadores, a ditadura do Estado Novo, industrialização e outras mudanças econômicas são recorrentes na prova.
Questão: Alienação do Trabalho: Esta questão, além de tratar da Revolução Industrial – tema também muito cobrado na prova -, confronta duas fontes diferentes a serem interpretadas. Neste caso, temos a utilização de um texto e uma charge. Saber fazer a leitura correta das fontes está previsto nas competências e eixos cognitivos do Enem.
Questão: Pluralidade Cultural: Esta questão mostra que o Enem não tem só a intenção de cobrar conteúdos, ou mesmo testar o raciocínio e interpretação dos candidatos. O Enem também é uma prova que busca educar, através de questões visando posturas politicamente corretas. Nunca esqueça disso.
Questão: Barbárie e Civilização: Já dissemos anteriormente que o questionamento de valores é uma constante no Enem. Esta questão, além de levantar esta análise, também estimula a comparação de imagens enquanto documentos históricos.
Questão: Crítica Social de Portinari: É bom entender a forma como algumas questões de história do Enem são elaboradas. Neste caso, a relação entre texto e imagem é apresentada de forma diferente.  A imagem é inserida como resposta, não como contexto. Legal, né? Mas isso não representa uma tendência do Enem. É mais um caso isolado.
Questão: Suicídio de Vargas: Esta questão mostra que a preocupação com Getúlio extrapola a Era Vargas. Olha o homem aí de novo. Fique atento a momentos marcantes da História do Brasil, pois costumam ser muito cobrados nas provas.
Questão: Povoamento da América: A inclusão desta questão nesta lista é muito simples: não há, no guia de conteúdos do Enem, menção sobre a pré-história da América. Mesmo assim, o assunto foi cobrado. Isto nos leva a conclusão de que não dá para seguir apenas o guia. Para garantir, leia TODOS os resumos de história deste blog.
Questão: Colonização da África: História da África, escravidão, a luta dos negros e seu papel na formação do Brasil são temas recorrentes no Enem. Há várias questões sobre este tema. Portanto, fique atento a ele.

Conteúdo de história para prova do ENEM

        Você quer passar na prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), obter uma excelente nota de corte e estar entre os primeiros no SiSU? Então, confira o conteúdo programático da parte de história do Enem. Fiquem ligados que existem várias faculdades e universidades públicas que utilizam parcial ou integralmente a nota do Enem. E este número tende a aumentar! Se você deseja conhecer mais sobre o Enem, clique aqui.
Logo do Enem
        Os conteúdos estão ligados, em sua maior parte, aos resumos de história, para que você possa estudar diretamente no blog. Alguns links direcionam à categoria, para que você possa ter uma visão mais abrangente sobre o tema. Uma pequena parte do conteúdo ainda não é abordado diretamente no blog. Nestes casos, você será direcionado para um link externo para complementar seus estudos.
        E atenção!!! Se você quer gabaritar na prova, não saia do blog antes de resolver as questões de história do Enem, aplicando os conhecimentos que você aprendeu nos resumos. Confira também os comentários e competências na resolução das questões. Só não passa quem não quer!!!

Conteúdo Programático

        Cumpre esclarecer que os conteúdos abaixo apresentam apenas a parte de história. A parte relacionada ageografia foi suprimida e pode ser encontrada neste artigo.
1- Diversidade cultural, conflitos e vida em sociedade
2. Formas de organização social, movimentos sociais, pensamento político e ação do Estado
3- Características e transformações das estruturas produtivas

sábado, 16 de maio de 2015

ENEM 2015: saiba o que muda na prova este ano (GUIA DO ESTUDANTE)

Entenda por que a taxa de inscrição aumentou e veja quem pode pedir isenção

Brasil Post | De Grasielle Castro | 14/05/2015 18h 24

Os estudantes que sonham entrar na universidade já podem anotar no calendário a data da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano. As provas serão aplicadas nos dias 24 e 25 de outubro. A inscrição abre no próximo dia 25 e custa R$ 63. São mais de 205 mil vagas em mais de 150 instituições públicas de ensino superior.

A novidade é que este ano o Enem vai aderir ao clima do ajuste fiscal da presidente Dilma Rousseff. Nesta edição, não haverá impressão e envio dos cartões de confirmação. O documento estará disponível na página do Enem. Só com isso, o Ministério espera economizar R$ 18 milhões. A pasta também conta o aumento da taxa de inscrição, reajustada pela inflação acumulada de R$ 35 para R$ 63, para diminuir os custos públicos.
O ministro Renato Janine Ribeiro ressalta que a pasta não pode mais jogar fora 2,5 milhões de provas, como fez no ano passado. Ele ressalta que é muito papel, muita tinta e muito dinheiro público que poderia ser usado melhor. “Nosso objetivo é ser o mais acolhedor possível. Nome social, dificuldade de cálculo, de visão é uma coisa. Outra coisa é desperdício e descaso com a coletividade", disse.
Isenção
Outra novidade que também deve cortar custos é que o Ministério da Educação não vai mais tolerar os faltosos. A prática de valer da isenção para se inscrever, não participar da prova e no ano seguinte se inscrever gratuitamente de novo não será tolerada. No ano passado mais de 2,5 milhões de inscritos, quase 30% do total, se inscreveram e não compareceram. Do total, 65% eram isentos.

Este ano o MEC não vai negar nenhuma isenção, mas a partir do ano que vem o candidato isento que tiver faltado em 2015 só poderá fazer a inscrição gratuitamente se tiver uma justificativa aceita pela pasta. O ministério ainda não definiu os critérios para a justificativa.

Calendário:

Inscrições: 10h de 25/05 até 23h59 de 05/06 no enem.inep.gov.br

Taxa: R$ 63 - São isentos os concluintes do ensino médio em 2015 matriculados em escolas públicas e os que declararem carência.

Prazo final para pagamento: 21h59 de 10/06

Data da prova: 24/10 - Ciências humanas e ciências da natureza - e 25/10 - Linguagens, códigos e suas tecnologias, redação e matemática

O que muda:

- E-mail único: O mesmo endereço de e-mail não poderá ser usado por mais de um estudante para fazer a inscrição.
- Horário das provas: O horário de início das provas não será mais o mesmo do horário de fechamento dos portões. Haverá um espaço de 30 minutos para os estudantes se organizarem nas salas.
Abertura dos portões: 12h
Fechamento dos portões: 13h
Início das provas: 13h30
*Horários de Brasília. Os sabatistas entram as 13h, mas só iniciam a prova às 19h do horário local no sábado. 
- Faltosos: Participante que obtiver isenção do pagamento da taxa de inscrição que não comparecer não terá direito a isenção no ano seguinte.
- Problemas de visão: Inclusão do atendimento para visão monocular e ledor e transcrição para participantes com discalculia.

O que continua igual:

- Nome social: O uso do nome social com a possibilidade de usar o banheiro do gênero ao qual o aluno se identifica permanece.
- Proibição aos telefones: Os estudantes que usarem aparelhos eletrônicos na hora da prova serão desclassificados.


segunda-feira, 11 de maio de 2015

Prepare-se para o Enem resolvendo provas anteriores

Treinar com provas antigas pode ajudar a acostumar com o estilo da prova e na preparação física para o exame

da redação | 28/09/2014 17h 58

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), será realizado em 8 e 9 de novembro e faltando um pouco mais de um mês para a prova, é hora de revisar. Pode parecer difícil escolher o melhor método para estudar, mas, sem dúvida, um dos mais importantes é refazer as provas anteriores do exame. Provavelmente algum colega ou professor já te deu essa dica, mas você sabe exatamente por que ela é fundamental para um bom desempenho?
As razões são simples: treinar com provas anteriores do exame pode ajudar a acostumar com o estilo da prova, o tipo de questões que costuma ser cobrado e, também, a mapear os assuntos que caem mais em cada matéria. Além disso, resolver as questões também pode servir como "termômetro" para os seus estudos, ajudando a verificar quais assuntos precisam ser estudados um pouco mais.
Reserve também alguns dias para resolver as provas inteiras nas mesmas condições exigidas na aplicação do exame, como número máximo de horas, espaço e alimentação. Nessa situação, fique longe de qualquer distração, como celular, computador, televisão ou mesmo familiares e amigos - lembre-se que, no dia da prova, nada disso será permitido! Essa é uma tática importante para treinar sua resistência e capacidade de concentração em uma prova longa, e pode ser o diferencial que o manterá focado no dia do Enem.
Para te ajudar nessa tarefa, o GUIA separou as provas e os gabaritos de todas as edições do formato atual do Enem, de 2009 a 2013. Confira abaixo!

Enem 2013
- Ciências Humanas e suas Tecnologias | Ciências da Natureza e Suas Tecnologias

- Gabarito
- Redação | Linguagens, Códigos e suas Tecnologias | Matemática e suas Tecnologias

- Gabarito
Enem 2012
- Ciências Humanas e suas Tecnologias | Ciências da Natureza e Suas Tecnologias

- Gabarito
- Redação | Linguagens, Códigos e suas Tecnologias | Matemática e suas Tecnologias

- Gabarito
Enem 2011
- Ciências Humanas e suas Tecnologias | Ciências da Natureza e Suas Tecnologias

- Gabarito
- Redação | Linguagens, Códigos e suas Tecnologias | Matemática e suas Tecnologias

- Gabarito
Enem 2010
- Ciências Humanas e suas Tecnologias | Ciências da Natureza e Suas Tecnologias (1ª aplicação) - com gabarito

- Ciências Humanas e suas Tecnologias | Ciências da Natureza e Suas Tecnologias (2ª aplicação) - com gabarito
- Redação | Linguagens, Códigos e suas Tecnologias | Matemática e suas Tecnologias (1ª aplicação)

- Redação | Linguagens, Códigos e suas Tecnologias | Matemática e suas Tecnologias (2ª aplicação)

Enem 2009
- Redação | Linguagens, Códigos e suas Tecnologias | Matemática e suas Tecnologias

- Gabarito

domingo, 27 de julho de 2014

ENTENDENDO A CRISE ARGENTINA: PERGUNTAS E RESPOSTAS

    
Do G1, em São Paulo

    A Argentina enfrenta uma batalha jurídica em torno dos pagamentos de suas dívidas, que pode levar o país a dar um novo calote em seus credores.

    Nesta sexta-feira (27), o pagamento de US$ 1 bilhão feito na véspera pela Argentina a credores da dívida (que recebiam em parcelas) foi considerado "ilegal" e "não será realizado" pelo juiz Thomas Griesa, dos Estados Unidos. Com isso, os recursos do depósito serão bloqueados. Para a Justiça, os argentinos só podem pagar as parcelas quando honrarem o pagamento dos que exigem receber o valor sem descontos ou parcelas.

    José Maria de Souza Júnior, professor de Relações Internacionais das Faculdades Rio Branco, diz que a disputa é apenas mais uma das instabilidades que a Argentina vem sofrendo desde o megacalote da dívida pública em 2001.

VEJA PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE A CRISE

QUAL A ORIGEM DA DÍVIDA?

    Em 2001, em meio a uma crise econômica e política, a Argentina anunciou um calote em sua dívida pública, que era de cerca de US$ 100 bilhões. As pessoas, empresas e os fundos que tinham títulos da dívida (ou seja, que haviam emprestado dinheiro para o governo) deixaram de receber os rendimentos deles e foram impedidas de resgatar os investimentos. Quatro anos depois, no governo de Néstor Kirchner, o país tentou recuperar a credibilidade com um plano de renegociações desses débitos.

COMO FOI A RENEGOCIAÇÃO?

    Em 2005, o então presidente Néstor Kirchner ofereceu aos prejudicados pagamentos com descontos acima de 70% e parcelados em 30 anos. Ao todo, 92,4% dos credores aceitaram as condições.

O QUE ACONTECEU COM QUEM ACEITOU A RENEGOCIAÇÃO?

    Esse grupo de credores tem recebido os pagamentos em parcelas – é a chamada dívida reestruturada.

O QUE ACONTECEU COM QUEM NÃO ACEITOU A RENEGOCIAÇÃO?

    Parte dos credores (7,6% do total) não quis receber os valores com descontos e parcelados. Fundos especulativos dos Estados Unidos aceitaram comprar esses títulos desses credores, a preços bem baixos. O governo argentino chama esses fundos de “abutres”, porque, assim como os pássaros, eles "se alimentam de coisas podres". O que os investidores tentam fazer, agora, é lucrar com títulos de pouco valor e que dificilmente seriam resgatados.

COMO A QUESTÃO FOI PARAR NA JUSTIÇA DOS EUA?

    Os “fundos abutres”, com sede nos EUA, procuraram a Justiça do seu país para receber o total dos valores dos títulos, sem descontos ou pagamento em parcelas.

O QUE DECIDIU A JUSTIÇA DOS EUA?

    Em 2012, um dos casos recebeu uma decisão favorável da Justiça dos Estados Unidos. O juiz Thomas Griesa determinou que a Argentina deve pagar US$ 1,33 bilhão ao NML Capital e Aurelius, um dos fundos especulativos. O governo de Cristina Kirchner recorreu, mas o Tribunal de Apelações de Nova York também concordou com a decisão de Griesa.

    A Argentina recorreu, então, à Suprema Corte norte-americana, que, no último dia 19 de maio, decidiu que o país deve pagar os fundos "abutres". A Justiça também determinou que a Argentina não pode pagar as parcelas de dívida reestruturada a menos que pague também aos fundos. A decisão também derrubou uma medida cautelar (chamada de “stay”, que significa “parar”) que suspendia os efeitos da determinação judicial anterior.

QUAL FOI A CONSEQUÊNCIA DA DECISÃO?

    Para pagar as parcelas já prometidas, a Argentina teria que pagar também o US$ 1,33 bilhão devido aos “fundos abutres”. Sem isso, o país pode ter que dar um calote involuntário nos credores que aceitaram a reestruturação.

“Não dá para dizer que é uma novidade, ou que pegaram a Argentina de surpresa. É quase que uma tragédia anunciada, porque sempre houve risco de ocorrer”, diz José Maria de Souza Júnior, professor das Faculdades Rio Branco.

QUAL O TAMANHO DA DÍVIDA COM OS CREDORES QUE NÃO ACEITARAM A RENEGOCIAÇÃO?

    Segundo o Ministério da Economia argentino, o grupo que não aceitou a renegociação detém 8% dos títulos da dívida pública, que chegam a US$ 15 bilhões.

A ARGENTINA TEM DINHEIRO PARA PAGAR A DÍVIDA?

    Sim. A Argentina possui atualmente cerca de US$ 28 bilhões em reservas.

POR QUE A ARGENTINA NÃO PAGA TODOS CREDORES?

    O país não pode pagar os credores que renegociaram por conta da decisão judicial, que a obriga a pagar também os fundos "abutres". Acatar a decisão e fazer o pagamento aos fundos também poderia abrir uma brecha judicial que permitiria que os credores que aceitaram a renegociação questionassem o país exigindo também o pagamento integral – que o país não tem recursos para efetuar.

QUANDO VENCE A PRÓXIMA PARCELA DA DÍVIDA REESTRUTURADA?

    A próxima parcela da dívida vence em 30 de junho.

POR QUE A ARGENTINA ANTECIPOU O PAGAMENTO?

    No dia 26, a Argentina anunciou o pagamento da parcela, com depósito de US$ 832 milhões, dos quais US$ 539 milhões foram para contas do Bank New York Mellon, que deveria repassá-los aos credores. O total de US$ 1 bilhão inclui o pagamento de vencimentos em pesos. A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, considera que, mesmo que o dinheiro seja embargado pela Justiça, o país não deu calote na dívida.

    O anúncio do pagamento foi interpretado por alguns analistas como uma "estratégia política". "É uma estratégia para jogar a bola para o juiz Thomas Griesa, que no ano passado decidiu a favor dos fundos especulativos, NML Capital e Aurelius", disse à France Presse o economista Eduardo Blasco, da consultoria Maxinver. "Parece que querem que Griesa decida se o país entrará em moratória ou não."

POR QUE O PAGAMENTO DA PARCELA DA DÍVIDA FOI BLOQUEADO?

    A Justiça americana determinou que a Argentina só pode pagar os que concordaram com o parcelamento quando também honrar o pagamento dos que exigem receber o valor sem descontos ou parcelas. Nesta sexta-feira (27), o juiz Thomas Griesa, dos Estados Unidos, considerou o depósito feito em Nova York como “ilegal” e “não realizado”.

O QUE ACONTECE SE A ARGENTINA NÃO PAGAR?

    Como os recursos do depósito feito pela Argentina foram bloqueados, isso pode configurar um novo calote do país – mesmo que involuntário. Griesa determinou que o dinheiro, depositado no banco New York Mellon, seja devolvido. Se uma solução não for encontrada até 30 de junho (vencimento da parcela), a Argentina terá dado um "calote técnico". Um seguro feito sobre essa dívida, no entanto, deve ser acionado, o que dará ao governo mais 30 dias para negociar com os “fundos abutres”.

O QUE ACONTECE SE A DÍVIDA COM OS "FUNDOS ABUTRES" FOR EXECUTADA?

“Se essa dívida for executada, o contrato prevê que os outros credores que aceitaram a renegociação podem recorrer parar receber nos mesmo termos”, explica o professor José Maria de Souza Júnior. “Neste caso, a conta poderia chegar a R$ 500 bilhões, ao passo que as reservas do país estão hoje em US$ 28 bilhões”.

QUAIS SÃO AS ALTERNATIVAS DO GOVERNO KIRCHNER?

    Para Souza Júnior, não resta muito a fazer a não ser insistir na negociação ou tentar judicialmente suspender ou protelar a decisão da Corte dos EUA que garante aos fundos especulativos o direito de exigir do governo argentino o pagamento integral de US$ 1,33 bilhão que lhes é devido.

“A Argentina vai tentar protelar judicialmente a execução desta decisão e tentar manobrar politicamente, inclusive em instâncias que não necessariamente tem a ver com a corte americana, como a Organização das Nações Unidas (ONU). Ela vai ter que falar que não tem dinheiro, mas que quer pagar e negociar. Esta é única saída”, diz.

    José Niemeyer, Coordenador de Graduação e Pós-Graduação em Relações Internacionais Ibmec, lembra que desde a crise de 2008, quando o dinheiro em circulação diminuiu, os credores estão muito mais impacientes em relação aos vencimentos de títulos a receber. Ele avalia, entretanto, que é exagero falar em risco de quebra. “Quando é uma empresa ou indivíduo que não pode pagar, tem como como partir para uma punição ou falência. Mas em se tratando de inadimplência do estado, o país não vai acabar. Trata-se de um problema macroeconômico que vai ter que ser resolvido, uma vez que há uma dezena de agentes econômicos envolvidos.”

A CRISE NA ARGENTINA PODE AFETAR O BRASIL?

    Já fora dos mercados dos internacionais, pela baixa credibilidade, o principal parceiro econômico da Argentina é o Brasil, que já está sentindo os efeitos da crise no vizinho. A queda nas trocas comerciais entre os países já ultrapassa 20% este ano. Para conter os dólares dentro de casa, o governo vizinho aperta cada vez mais as importações e fecha as portas para os produtos brasileiros.


“Um calote da China seria mais grave, mas um da Argentina também é grave”, diz José Niemeyer, do Ibmec. “O Brasil é o grande líder da região e a Argentina é importante para o país, temos multinacionais lá e uma linha de comércio grande com o eles. Qualquer crise macroeconômica na Argentina provoca desdobramentos no Brasil”, explica.

FONTE: G1

ENTENDENDO A CRISE ARGENTINA EM 10 PONTOS

    
Darlan Alvarenga e Juliana Cardilli
Do G1

    A forte desvalorização do peso nos últimos dias levantou ainda mais dúvidas sobre a situação econômica da Argentina, que tem se agravado nos últimos meses com a disparada da inflação e a redução drástica das reservas internacionais.

    Do megacalote da dívida pública em 2001 aos índices econômicos negativos no início de 2014, confira 10 pontos que explicam a atual crise na Argentina.



    Em 2001, em meio a uma grave crise econômica e política, a Argentina anunciou um calote em sua dívida pública, que na época era de cerca de US$ 100 bilhões. A decisão abalou a confiança dos investidores, afastou empresas estrangeiras e fez o país ter dificuldades para conseguir empréstimos internacionais. A entrada de dólares ficou dependente da exportação do agronegócio. Mas a economia perdeu competitividade, e a entrada de moeda estrangeira com a venda de grãos e carne também caiu.

    Com isso, a Argentina não consegue mais financiar as suas contas externas, e o volume de reservas internacionais – espécie de "poupança" em moeda estrangeira contra crises – vem caindo. Neste início de ano, o volume dessas reservas, que era de US$ 43 bilhões há 1 ano, caiu para menos de US$ 30 bilhões. As reservas internacionais brasileiras, para efeitos de comparação, somam mais de US$ 370 bilhões.

    Em 2005, no governo de Nestor Kirchner, o país tentou recuperar credibilidade oferecendo a quem tinha sido prejudicado pelo calote pagamentos com descontos acima de 70%, a serem feitos em 30 anos. Mais de 90% dos credores aceitaram a proposta do governo, mas ações de quem rejeitou o acordo ainda correm em tribunais internacionais.


"De certa forma, a crise de 2001 nunca foi resolvida totalmente, pois parte dos credores não aceitou o calote e foi para a Justiça, o que impede até hoje o país de levantar fundos internacionais de ajuda", afirma Carlos Stempniewski, economista e professor de Comércio Exterior das Faculdades Rio Branco.


    Para tentar mudar a situação, o governo adotou diversas medidas que restringem a saída de dólares do país: aumentou impostos sobre gastos no cartão de crédito no exterior, passou a exigir aprovação do banco central para compra de dólar para turismo e impôs restrições ao comércio online.

    Com a falta de dólares no mercado, a cotação disparou. Em 23 de janeiro, o peso argentino desabou 11%, a oito pesos por dólar, na maior queda diária desde a crise de 2002. Fora do mercado oficial, no paralelo – que escapa às muitas restrições do governo –, a cotação está ainda mais alta: era de 10 pesos por dólar, tendo se popularizado a expressão "dólar Messi", em referência ao número da camisa do jogador, e já passou a ser negociada por 13 pesos.

    A falta de confiança no sistema financeiro do país é enorme, e a "poupança" dos argentinos passou a ser juntar e guardar dólares em casa, o que faz a moeda disparar ainda mais, para desespero do governo. "O que aconteceu foi uma rendição à realidade. O governo que dizia o tempo todo que não iria desvalorizar o câmbio. Na prática, começou a ceder", diz Leonardo Trevisan, que é professor de economia internacional da PUC São Paulo.

"Restou pouco espaço para mágica. Não tem mais o que proibir. Já proibiram tudo por lá. Chegaram ao ápice de controlar até as compras online", diz Carlos Stempniewski. "Pode-se prever mais desvalorização e mais turbulência. É um cenário preocupante que vai exigir remédios amargos que governos populistas resistem a aplicar", completa o economista.

    As medidas afetam, além da população, também as empresas argentinas. Para evitar que a balança comercial fique negativa – quando a importação é maior que a exportação –, quem quiser importar precisa compensar com uma exportação no mesmo valor. Há empresas de peças de automóveis, por exemplo, exportando vinhos. Essa política, no entanto, também é responsável por reduzir ainda mais a confiança dos investidores estrangeiros, que se afastam do país e não colocam dólares para dentro da fronteira.

    Na sexta-feira, 24 de janeiro, o governo argentino anunciou um relaxamento das medidas de controle e disse que permitirá a compra de divisas estrangeiras pela população para posse e economia. A medida, no entanto, pode ter pouco efeito, visto que os dólares têm sido escassos no país.


    A economia pouco competitiva também levou às alturas a taxa de inflação. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Censo (Indec), órgão oficial do governo, a inflação terminou 2013 em 10,9%. Há suspeitas, no entanto, de que os números têm sido maquiados. Segundo as principais consultorias independentes argentinas, a inflação anual foi de pelo menos 28%.

"Nem o governo acredita nesse índice. A maior prova são os aumentos salariais para os sindicatos amigos. Os caminhoneiros, por exemplo, receberam em outubro reajuste de 25%", afirma o professor Leonardo Trevisan, lembrando que os indícios de maquiagem nos dados oficiais levou a revista "The Economist" a excluir os números do governo argentino das suas publicações.

    O Conselho Executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu no início de 2013 uma declaração de censura contra a Argentina por considerar insuficiente a melhoria de qualidade dos dados oficiais do país, pedida pelo fundo desde setembro de 2012.

    Em junho do ano passado, os preços de 500 produtos foram congelados e tabelados como tentativa de controlar a crescente inflação. Grande exportadora histórica de commodities, a Argentina está importando produtos básicos para conter a alta de preços. Recentemente, o país anunciou que iria comprar tomates do Brasil.

"O dólar não pode ter um valor que o governo imagina que ele tem. Mas se deixar o câmbio livre, a pressão inflacionária será ainda mais forte. Como o governo não quer mudar o modelo econômico, ele cede um pouco no câmbio e aperta do outro lado, como acaba de fazer ao restringir as compras online", afirma Leonardo Trevisan.


    Leonardo Trevisan, da PUC, explica que, mesmo com uma economia pouco industrializada e baseada na exportação de carne, soja e trigo, a Argentina conseguiu de fato uma melhora nos primeiros anos após a moratória. "Apesar da forte pressão contra a classe média, que compra cada vez menos, de fato há hoje uma distribuição de renda muito mais significativa. Quase 12% dos argentinos muito pobres deixaram a linha de pobreza desde 2004. Mas este tipo de modelo cobra o seu preço, basta ver o que acontece no setor de energia", afirma o professor, citando os recentes blecautes. "Há 25 anos não se constrói nenhuma nova usina de geração de energia na Argentina".

"A família Kirchner entrou pisando no acelerador e a forte demanda externa por commodities ajudou muito a encobrir os problemas. Mas aí veio a crise financeira de 2008, 2009, a China passou a comprar menos, o dólar ganhou força no mercado internacional e agora a conta está chegando", afirma o economista Celso Toledo, da LCA, em referência ao período entre 2004 e 2007, com o presidente Néstor Kirchner, marcado por taxa de crescimento acima de 6% e crescimento das reservas internacionais.

"O fato concreto é que a Argentina não possui uma estrutura produtiva diversa e competitiva capaz de gerar superávits na conta corrente do país (quando há mais dinheiro entrando no país do que saindo)", avalia Cristina Helena Pinto de Mello, professora de Economia da ESPM.

    Além da falta de investimento e da dificuldade de atrair capital estrangeiro, analistas apontam uma regressão institucional no país. "O que está faltando na Argentina são instituições sólidas e confiáveis, e regras confiáveis. É o único país do mundo de renda média baixa que faz maquiagem de dados econômicos", afirma Rodrigo Zeidan, professor de economia e finanças da Fundação Dom Cabral.


    A situação do governo Kirchner se complicou em outubro de 2012. Cristina, que já enfrentava uma oposição mais forte, com diversas críticas ao seu governo, sofreu um revés nas eleições legislativas, quando sua coalizão perdeu nos principais distritos – apesar de manter a maioria no Congresso.

"Com o resultado, o governo não tem maioria parlamentar que permita uma reforma para a reeleição de Cristina pela segunda vez. Com isso, ela encerra sua presidência em 2015", diz Luis Fernando Ayerbe, coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Unesp.

    A ausência da presidente na campanha, as dúvidas sobre seu verdadeiro estado de saúde – ela ficou afastada para uma cirurgia de drenagem de um hematoma cerebral –, as incertezas sobre a economia do país e o medo da violência pesaram na hora do voto, fazendo do pleito para legisladores uma prévia das eleições presidenciais de 2015.

    Cristina retomou seus compromissos semanas após a eleição, em 18 de dezembro de 2013. Na data, anunciou novos ministros da Economia e da Agricultura – medida que surpreendeu a imprensa local.

"Ela fez uma reforma ministerial importante. Colocou pessoas de confiança, mas que tem independência, voo próprio. O kirchnerismo tem uma forte influência do presidente nas decisões cotidianas. Agora ela nomeou pessoas com maior capacidade de gestão e mais independentes", explicou o professor Luis Fernando Ayerbe.


    Logo após a reforma ministerial, Cristina saiu de cena e ficou mais de um mês sem aparições públicas – um contraste com a personalidade midiática e a agenda de intensas atividades. No período, passou férias em sua casa em El Calafate, no sul do país, e fez despachos internos na Casa Rosada.

    Marcos Castrioto de Azambuja, que já foi embaixador do Brasil na Argentina e na França e é membro do Conselho Curador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), acha que a mudança de perfil se deve a uma consciência de Cristina de que o modelo utilizado por ela se esgotou.

"Como ela estava jogando não estava dando certo. Sua popularidade está caindo. Ela teve um susto relacionado à saúde, um problema que podia ser muito sério, deu a ela a ideia da precariedade das coisas", disse. “É um problema de quem vive um fim de festa, fim de feira. O mundo vai pior hoje do que nos anos iniciais do Néstor Kirchner, quando os países de commodities tiveram seu mercado imensamente ampliado. Hoje há uma diminuição real da capacidade de crescer".

    A falta de credibilidade do governo também tem influência no posicionamento da presidente. Segundo o embaixador, a Argentina cometeu "um pecado muito grave da mentira sistemática dos números da economia". "Ninguém acredita no que sai da boca dela [Cristina]. Há uma presunção de que tudo é uma mentira. Agora ela se deu conta que tem menos tempo, menos prestígio e menos pano de onde cortar. O que faz ela sobreviver é que na Argentina não há alternativa ao peronismo", afirmou Azambuja.

    Para o professor Ayerbe, tanto a saída de cena quanto a reforma ministerial evidenciaram a necessidade da presidente de focar na sucessão. "A situação está difícil para o kirchnerismo. Para o governo agora a questão é viabilizar uma candidatura própria, apesar dos percalços econômicos".


    Os problemas, para Rubens Ricupero, ex-embaixador, ex-ministro e atual diretor da Faculdade de Economia da Faap, criam um clima perturbador no país. "A Argentina talvez seja o país da América do Sul em que haja mais chance da vitória da oposição – se bem que os dois principais candidatos saíram mais ou menos do setor que era anteriormente do governo" explica. "A derrota do governo é muito forte, e sem dúvida o novo presidente vai herdar uma situação difícil".

    Os dois principais nomes da oposição são Sergio Massa, ex-prefeito de Tigre e deputado eleito pela província de Buenos Aires, e Mauricio Macri, prefeito de Buenos Aires que já lançou sua candidatura à presidência para 2015.

    Os analistas concordam que Cristina enfrenta sérias dificuldades para ter um sucessor com chances de vitória. Deste modo, a oposição tem amplas chances, apesar de não haver nenhum candidato com grande promessa de renovação.

"A ideia geral é que o kirchnerismo sai em 2015. Eles não têm um candidato que seja viável eleitoralmente. Isso só seria possível se a situação estivesse muito boa, como foi o caso de Lula e Dilma no Brasil em 2010. Para construir um candidato viável, é preciso gerar melhoras. E esse ano vai ser um ano de baixo crescimento", explica o professor Luis Fernando Ayerbe.

    Para o embaixador Azambuja, o que faz Cristina ter sobrevivido aos últimos anos é que na Argentina não há alternativa política ao peronismo – corrente da qual ela é a mais recente "encarnação". Além disso, a crise nos setores populares tem sido menor que nos médios e altos. "O peronismo é uma grande ameba, governa às vezes para a esquerda, às vezes para a direita, mas é a força motriz da Argentina. Não há como escapar desta grande ameba que vai mudando de forma, que reúne nacionalismo, populismo e estadismo com doses maciças de corrupção".

"As diversas modalidades de peronismo são muito poderosas. Não se viu até hoje uma força verdadeiramente independente do peronismo", afirma o embaixador Ricupero. Para ele, mesmo com uma derrota nas próximas eleições, o kirchnerismo não deve ser visto como derrotado. "A Cristina já tem um certo esquema de sucessão, com seu filho, com a juventude. É difícil imaginar que o kirchnerismo desapareça".


    Quando Cristina conseguiu voltar do afastamento médico e realizou a mudança inesperada de gabinete – que levou o foco do país novamente para as iniciativas presidenciais – novos problemas surgiram, criando uma sensação de crise. Um deles foi a greve de policiais, que resultou em protestos da categoria e saques generalizados no interior do país. Pelo menos nove pessoas morreram em enfrentamentos.

"Ela estava saindo da doença, tinha nomeado o novo gabinete, era uma fase que aparecia como de retomada, e acontece algo assim, que cria um clima de insegurança. Ficou mal para ela", analisa o professor Ayerbe.

    O embaixador Ricupero, entretanto, lembra que graves protestos e saques não são inéditos na Argentina, apesar da gravidade da situação. "As pessoas se alarmam muito quando isso acontece, mas talvez em outro país fosse um sinal muito mais grave. Evidentemente é grave, mostra uma deterioração muito séria da coesão nacional, da capacidade dos governos de controlar o que está acontecendo. Mas é um fato que se repete há muito tempo", explicou.

    Para o embaixador Azambuja, é preciso lembrar que o descontentamento na Argentina é um estado permanente. "A Argentina é um país de insatisfeitos, há uma sensação de que perdeu o bonde da historia, uma irritabilidade, uma frustração. Você tem essas greves todas, mas como não há caminho, não há alternativas".


    Desde 2009, o governo argentino e o grupo de comunicação Clarín estão em uma batalha judicial para a colocação em vigor da Lei de Meios, que obriga a empresa a se desfazer de várias de suas posses. No fim de 2013, a Suprema Corte da Argentina declarou a lei constitucional.

    O jornal, que já fazia oposição ao governo Kirchner, passou a viver praticamente em guerra com a presidente durante os anos de brigas judiciais. Para os especialistas, entretanto, a parte mais grave da disputa já passou, e não deve influenciar o governo no futuro próximo.

"Há muita controvérsia com a Lei de Meios, mas quando ela foi apresentada passou tranquilamente, foi aprovada sem problemas. Quando começou a se caracterizar esse conflito, começou a se associar que ela era para prejudicar o grupo Clarín, criou-se a polêmica, a lei foi contaminada", explica o professor Luis Fernando Ayerbe. "Mas isso agora terminou. O grupo está fazendo um ajuste, o governo vai aprovar, e o conflito não deve ser mais tão grave, apesar de o Clarín continuar na oposição".


    A forte desvalorização do peso argentino nos últimos dias é um indicativo de esgotamento do modelo econômico e da série de medidas lançadas pelo governo de Cristina Kirchner. Para os especialistas ouvidos pelo G1, a situação pode estar perto de entrar em um caminho sem volta, de consequências preocupantes.

    Ainda que o cenário atual seja o resultado do acúmulo de crises e de problemas antigos não resolvidos, os analistas destacam que a situação das reservas internacionais se agravou no  comando de Cristina, quando as receitas com exportações deixaram de ser suficientes para garantir o equilíbrio das contas.

"O conjunto da obra é até pior do que o de 2001. A dinâmica inflacionária, no nível em que está, só se rompe com um choque, não tem choro nem vela. Eu diria que a chance de ter uma recessão daquelas em que o PIB cai 4% nos próximos anos é de quase 80%", diz o economista Celso Toledo, da LCA. "O triste é que já aconteceu com eles. Historicamente, todos os males da Argentina são iguais aos do Brasil, mas um pouco piores. Do governo militar ao plano de estabilização".

    A receita econômica para situações como a da Argentina costuma, invariavelmente, incluir a adoção de medidas como desvalorização cambial, mudanças tributárias, aumento na taxa de juros e controle dos gastos públicos. "A Argentina pode dar a volta por cima, basta seguir a cartilha. Vai doer, mas olha o que está acontecendo com países como Grécia e Portugal", diz Rodrigo Zeidan, da Fundação Dom Cabral.

    Para os analistas, entretanto, o cenário político com vista às eleições presidenciais de 2015 continuará se impondo, com poucas chances de uma mudança de rota na política econômica no curto prazo. Para eles, caso o cenário internacional não se altere muito, a tendência é que a crise não melhore nem se intensifique.

    Para o embaixador Rubens Ricupero, a atual realidade lembra crises do passado, mas sem tanta gravidade. "Não há perspectiva de melhora econômica e política. Há fatores que podem complicar a situação, como o julgamento sobre a dívida externa argentina. O tempo vai se esgotando, a situação é grave, mas ainda não se chegou a um colapso do sistema, como já ocorreu antes".

    Para o professor Luis Fernando Ayerbe, há um consenso até mesmo na oposição de que a situação não vai piorar – mas grandes mudanças também não são esperadas. "O governo não vai gerar uma alternativa que melhore a situação econômica. O que se discute é levar as coisas até o final do mandato".

    A capacidade de flutuação do país, de conseguir manter-se entre diversas crises, é lembrada por Azambuja. "A Argentina surpreende pelo que não conseguiu fazer, por não ter aproveitado oportunidades extraordinárias. É intrinsecamente um país rico. O que surpreende não é que ela vá mal, mas como ela não consegue ir bem. O país não seguirá muito bem, mas não se prepare para nenhum colapso. Não devemos subestimar a Argentina".

FONTE: G1